EDIÇÃO DE CONTEÚDO EDUCATIVO DIGITAL USC

LEITURAS COMPLEMENTARES



DOIS JEITOS DIFERENTES DE FAZER CRÍTICA DE MÍDIA

"Analysing Media Texts" é um livro editado pela Open University (Milton Keynes, Inglaterra) para estudantes do curso "Understanding Media", oferecido na modalidade a distância pela Universidade. A introdução escrita por Marie Gillespie e Jason Toynbee (organizadores) oferece uma visão muito esclarecida sobre as diferenças entre a crítica cotidiana que as pessoas fazem sobre filmes e programas de TV e aquela que devem fazer os estudantes de mídia. Reproduzo uma tradução desse trecho aqui:

Trecho do texto “Textual power and pleasure” Capítulo do livro “Analysing Media Texts” (Open University Press) Marie Gillespie e Jason Toynbee

Em certa medida, a análise de como as mensagens midiáticas funcionam reflete nossa experiência com os meios de comunicação. Um dos prazeres de ir ao cinema ou assistir um programa de televisão é conversar sobre o filme ou programa com os amigos ou a família depois. Nós sentimos prazer em discutir sobre diferentes elementos – a história, o desempenho dos atores, os diálogos, os movimentos de câmera e os efeitos especiais. E nós emitimos julgamentos, claro. Na verdade, quando conversamos sobre o assunto, muitas vezes nós discordamos sobre o significado de uma certa ação do personagem, da plausibilidade ou realismo da história, do modo como as decisões foram tomadas no enredo ou de algum outro elemento da história ou programa. Ao agir desse modo, podemos muito bem estar sendo influenciados pelos críticos, que são pessoas pagas para interpretar e julgar textos midiáticos.

Claro que como estudantes de mídia nós também interpretamos e julgamos. Entretanto, a análise textual nos estudos de mídia é bem diferente da crítica cotidiana, por duas razões principais.

Em primeiro lugar, a análise dos textos midiáticos envolve a análise das suas estruturas. Desfazer a estrutura implica em ter uma teoria daquela estrutura, um modelo através do qual as convenções funcionam em conjunto para produzir significado. (...) .Entre essas teorias estão a semiótica, as noções de gênero, narrativa e discurso. Juntas, essas teorias produzem um ‘kit de ferramentas’ que podem ser usadas para analisar textos midiáticos. (...).

Em segundo lugar, o modo pelo qual o estudo dos textos midiáticos se difere da crítica cotidiana é que, no estudo, o julgamento de valor quase não se configura. As conversas que temos com os outros sobre mídia tendem a envolver a produção de julgamentos como, por exemplo ‘tal filme é fantástico’ ou ‘que música chata’. Entretanto, a análise textual evita atribuir valor desse modo. Em parte, isso acontece para que haja objetividade. Nas ciências sociais – talvez mais do que nas artes ou humanidades em geral – é importante não depender de nossa experiência subjetiva individual, mas considerar o mundo social do modo mais objetivo possível, usando critérios racionais para organizar e mensurar evidências. (...). Assim, as respostas individuais e subjetivas que nós geralmente produzimos sobre textos midiáticos não cabem nesses critérios [de objetividade].

Entretanto, avaliação e questões de valor são comumente exploradas nos estudos de mídia. A diferença é que esse processo é feito através da identificação de valores políticos e ideológicos que moldam ou sustentam uma mensagem.



Escrito por Alexandra Bujokas às 07h14
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BLOG DA GABRIELA! BLOG DA GABRIELA!

Êba! Temos o primeiro efeito colateral da aula: a Gabriela fez um blog! Vejam em http://www.conexaodosaber.blogspot.com/



Escrito por Alexandra Bujokas às 09h13
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EUROPEAN CHARTER FOR MEDIA LITERACY

O European Charter for Media Literacy é um manifesto que reúne entidades de oito países comprometidos com a promoção da educação para a mídia na Europa. A idéia inicial foi proposta pelo UK Film Council e pelo British Film Institute, e implementada em 2005. Participam do manifesto o próprio BFI, o Ministério da Educação, Ciência e Cultura do governo da Áustria, O Conselho de Educação para as mídias da Bélgica (CEM), o Centro de Ligação do Ensino e dos Meios de Comunicação da França (Clemi), a Universidade de Kassel da Alemanha, a Universidade do Algarve de Portugal, o Grupo Comunicar da Espanha e o Instituto do Filme Sueco da Suécia.

Qualquer entidade ou indivíduo pode participar do charter. Basta fazer uma inscrição e assinar digitalmente o manifesto, que tem, inclusive, uma versão em português. O manifesto é composto por seis itens, que incluem comprometimentos, valores e plano de ação. Cada participante pode criar sua página no website, descrevendo suas experiências e planos de ação pessoais.

 

Clique aqui para ler o Manifesto em português.



Escrito por Alexandra Bujokas às 13h47
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ESTUDO DE UM CASO (1)

(Os próximoscinco posts abaixo deste tratam do mesmo assunto: o estudo de um caso prático de leitura crítica do jornalismo e algumas reflexões conseqüentes, a partir de uma notícia do portal UOL)

Qualquer pessoa que não viva em Marte, num instante, fica sabendo da bomba que explodiu na Inglaterra, da moça que foi expulsa do casamento do jogador de futebol, da mulher que deu uma declaração polêmica na novela das oito e perdeu o emprego, do suposto escândalo do mensalão. Todos nós sabemos reconhecer cantores, políticos, esportistas famosos, mal batemos os olhos numa fotografia, ainda que pequena e em preto-e-branco, estampada no jornal. Sabemos detalhes da vida íntima das celebridades, mas não sabemos quais projetos foram votados pelos parlamentares na manhã de ontem, nem como foi que o governo gastou o dinheiro que recolheu dos nossos impostos no último ano. Embora essas informações estejam disponíveis, através das mídias.

 

O que será que acontece que as pessoas sabem tanto sobre coisas irrelevantes e fúteis e tão pouco sobre coisas importantes? Talvez, entre outras razões, porque as futilidades são tratadas de maneira muito didática pelas mídias, mas as coisas mais importantes precisam ser vasculhadas, o que exige certas habilidades de leitura muito pouco popularizadas.

 

Portanto, qualquer pessoa que receba informações através de impressos, rádio, televisão, e-mail está submersa no mundo da cultura midiática. Se essa pessoa qualquer pretende fazer uso eficiente desses recursos para melhorar sua vida e a dos outros, então ela já se envolveu com a mídia-educação. Vamos pensar num exemplo.



Escrito por Alexandra Bujokas às 12h05
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ESTUDO DE UM CASO (2)

Estou sentada na frente de um computador, longe do meu país há um mês e ainda vou ficar aqui mais 11 meses. Quando eu voltar, um novo presidente terá sido eleito. Não vou votar nessas eleições de 2006, mas isso não diminui minha vontade de saber como anda a administração pública do Brasil. Acesso o portal Universo Online. De imediato, fico sabendo que o Palmeiras empatou com o Figueirense, porque há uma foto com destaque no lado esquerdo da tela. Na sequência, fico sabendo que o Copom reduziu os juros em meio ponto, para 14,25%, e que esse fato surpreendeu alguém. Essa é a segunda notícia com mais destaque, já que está escrita com letras maiores. Depois, fico sabendo que o Lula, presidende e candidato, sente orgulho dos apoios que tem recebido e, finalmente, que o Corinthians venceu o São Caetano

 

Como uma pessoa alfabetizada em mídia, avalio que as notícias sobre a política e a economia são mais importantes para mim, apesar de o futebol ter sido tratado com igual importância no arranjo daquela página. Isto é, usando recursos de edição gráfica, a pessoa que montou esta página do UOL ordenou informações estéticas (imagens, cores, grafismos e tamanho de letras) e informações semânticas (conteúdo das imagens e dos textos) de modo a equilibrar a importância dos quatro fatos principais. Ocorre que eles têm importância diferente. Eu não dou bola para o arranjo estético e clico logo na notícia sobre o corte de juros feito pelo Copom. Releio o título: “Copom surpreende e reduz juros a 0,5 ponto, a 14,25%” e, embaixo, com letras menores “Decisão do BC é eleitoreira, acusa oposição”.

 

 



Escrito por Alexandra Bujokas às 12h05
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ESTUDO DE UM CASO (3)

De imediato, dois aspectos chamam minha atenção. Primeiro: ninguém precisa mais explicar o que significa “Copom”. De tanto aparecer nos jornais e na televisão, principalmente, este termo já se tornou conhecido até de quem nunca estudou nada de economia. Esse é o poder da mídia: há 10 anos, quando o Copom foi criado, pocos especilistas no assunto sabiam da existência desse órgão. Hoje, é quase tão famoso quanto o Ronaldinho Gaúcho, porque a super exposição deste termo o massificou a ponto de não precisar de parênteses para ser explicado.

 

Em segundo lugar, de tudo o que poderia ser colocado abaixo do título, o jornalista escolheu destacar a frase “Decisão do BC é eleitoreira, acusa oposição”. Por que ele fez isso? Eu, que sou alfabetizada em mídia, rapidamente me lembro de uma teoria da comunicação de massa chamada “enquadramento”. Acesso o web site da revista “Comunicação & Política” (www.cebela.org.br/CBrevistaCeP) e releio trechos do artigo “Política mediada, democracia e elites” do professor Danilo Rothberg:

 

A arte de contar histórias na política constitui-se (...) com o uso de representações, apelos, metáforas e contextualizações históricas que favorecem a criação de um amálgama atraente ao público. Trata-se da necessidade de simplificar um conjunto complexo de informações para tornar certas situações mais palatáveis ao público consumidor dos produtos da mídia comercial. Isso significa privilegiar determinadas visões exatamente aquelas mais adequadas à construção de um produto mais comercializável, que apresente elementos reconhecíveis e uma narrativa mais fácil de compreender.

 

As narrativas simplificam a complexidade de um mundo em constante transformação, projetam pessoas em detrimento de organizações coletivas, privilegiam emoções no lugar dos fatos, obscurecem o papel das instituições e caracterizam as disputas como meros jogos motivados por interesses pessoais.

 

O comentário cai como uma luva. Diante de um cenário muito complexo, influenciado pelo dinamismo da economia mundial e por um longo histórico de políticas econômicas, uma explicação para o corte na taxa de juros deve ser dada. O jornalista escolhe exatamente aquela que aproxima a política de uma corrida de cavalos ou de uma luta de boxe. Eu, que conheço a teoria do enquadramento, não dou bola para o subtítulo infeliz da reportagem, e vou procurar informação mais importante. Clico no título, e abro o texto completo.



Escrito por Alexandra Bujokas às 12h00
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ESTUDO DE UM CASO (4)

Sei que o texto jornalístico tem uma estrutura típica: começa com um lide (adaptação para o português da palavra inglesa lead, que significa, entre outras coisas, conduta e direção), que é o parágrafo introdutório, onde o jornalista coloca as informações mais significativas da reportagem que está redigindo. A seguir, o texto deve seguir um esquema de “pirâmide invertida”, isto é, as informações mais importantes vêm nos primeiros parágrafos e mais detalhadas. As informações menos importantes vêm nos últimos parágrafos e mais resumidas.

 

O lide da matéria que estou lendo é assim:

 

O Banco Central surpreendeu ao anunciar um corte na taxa básica de juros maior do que o esperado pela maior parte dos analistas. O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano, enquanto a maioria do mercado esperava uma redução de só 0,25 ponto. O comitê tomou a decisão na última reunião antes do primeiro turno das eleições.

 

Como leitora crítica, percebo que, já no início, a repórter associou a taxa a uma suposta intenção eleitoreira usando a frase “O comitê tomou a decisão na última reunião antes do primeiro turno das eleições”. Fico me perguntando se esse é mesmo um motivo para afirmar que a decisão é eleitoreira. Talvez a agenda das reuniões já estivesse definida há mais de um ano. Definitivamente, eu não tenho como saber. Mas como sou uma pessoa crítica, não vou engolir essa aproximação forçada que a reportagem faz. Prossigo a leitura. Na sequência, fico sabendo quais são os motivos do corte:

       

O fator que mais justifica o menor conservadorismo do Banco Central é a tendência de queda da inflação. A meta de inflação oficial é de 4,5% de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) -com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.        Além disso, o crescimento da economia parece que não provocará pressão sobre os preços -o IBGE divulgará amanhã o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre.

No cenário internacional, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) anunciou ontem uma certa preocupação com a desaceleração da economia do país, após dois anos de aumento da taxa de juros -hoje em 5,25% ao ano.

A aposta quase majoritária de um corte ce 0,25 ponto era sustentada pela ata da última reunião do Copom, que indicava "maior parcimônia", principalmente porque há uma preocupação sobre os efeitos que a decisão de hoje e dos próximos encontros terão sobre a economia a partir do ano que vem.

 O processo de redução da taxa de juros começou em setembro do ano passado. Na ocasião, a Selic passou de 19,75% para 19,5% ao ano. A maior preocupação do BC é com o controle da inflação. No entanto, não há risco aparente de a meta desse ano não ser cumprida.

 

Esses quatro parágrafos me explicam as razões do corte: a inflação está dentro do planejado, os estudos apontam que não deverá haver pressão sobre os preços e o governo já vinha reduzindo a taxa há quase um ano. Esses argumentos me parecem bem mais sólidos do que a intenção eleitoreira destacada no subtítulo, já que condizem com meu conhecimento prévio (ou falta dele) sobre economia: trata-se de um cenário complexo, influenciado por circunstâncias locais, nacionais e estrangeiras e de por um longo percurso histórico. A economia como nós a temos hoje não é resultado das decisções praticadas no governo Lula, mas sim da soma de todas as decisões tomadas pelo menos desde a época da implantação do sistema republicano no Brasil, até mesmo antes.



Escrito por Alexandra Bujokas às 12h00
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ESTUDO DE UM CASO (5)

Eu poderia continuar minha pesquisa, comparando a cobertura do UOL com a de outros web sites de notícia, poderia ler as revistas que virão no fim de semana, consultar sites de universidades que tenham cursos de economia. Caso eu fosse consultar essas outras fontes, poderia aplicar a teoria do enquadramento em todas elas: comparar o que cada uma destacou no título, no subtítulo e no lide, quem entrevistou mais pessoas e fez uma cobertura mais abrangente, quem simplificou mais, quem está usando este fato para favorecer a candidatura do governo, quem está usando para favorecer a oposição e quais recursos da linguagem jornalística estão sendo usados para tentar me convencer de que o que está registrado na reportagem coincide exatamente com a verdade. Como eu já disse, sou uma leitora crítica e sei que não é porque foi publicado ou apareceu na televisão é, necessariamente, verdade.

 

Eu faria uma leitura comparativa porque estou interessada em entender aspectos importantes da vida em sociedade, que influenciam diretamente minha vida pessoal. Não porque eu sou jornalista, como argumentaram meus alunos de pedagogia, conforme eu relatei na introdução, mas porque eu quero ter uma visão mais apurada das coisas importantes que estão acontecendo, para decidir como eu mesma devo proceder, como cidadã.

 

Além dessas razões de cunho mais imediato exemplificadas nos parágrafos acima, certamente os educadores devem considerar um contexto mais amplo para justificar a importância central da mídia-educação na escola contemporânea.



Escrito por Alexandra Bujokas às 11h59
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ESTUDO DE UM CASO (6)

O professor David Buckingham[1], da Universidade de Londres, estuda o uso de mídias na educação há mais de 30 anos e dá suas razões:

 

A mídia é uma das maiores indústrias, que gera lucro e emprego; ela nos provém com a grande maioria das informações sobre o processo político, nos oferece idéias imagens e representações (verídicas e ficcionais) que, inevitavelmente, moldam nossa visão da realidade. Sem dúvida, a mídia é o maior meio de expressão cultural e comunicação contemporâneas: para se tornar uma pessoa participative na vida em sociedade, necessariamente é preciso fazer uso das mídias modernas. Os meios de comunicação, argumenta-se, estão hoje tomando o lugar da família, da igreja e da escola como lugares principais de socialização e influência nas sociedades contemporâneas.

           

Se fizermos uma comparação entre o livro – uma das formas mais tradicionais de cultura – e a televisão podemos notar que, em relação ao livro, os adultos têm mais controle sobre o que as crianças vão acessar do que em relação à televisão. Por que isso acontece? Talvez porque nossa cultura fomentou uma visão de que as crianças são seres especiais, que precisam de proteção e cuidados, físicos e espirituais. Assim, historicamente, foram criados jogos histórias impressas, especialmente voltados para um público que precisa adquirir sensibilidade, apurar o raciocínio, aprender valores.

 

 Hoje, qualquer pai que queira dar um livro para seu filho, entra numa livraria e encontra uma série de publicações especiais, facilmente reconhecíveis pela aparência e títulos. Entretanto, o pai que queira escolher um horário da televisão para o filho assistir irá ter mais dificuldade, especialmente porque o filho vai querer assistir os programas feitos para o público adulto, tais como novela, jogo de futebol, filme, telejornal. A pergunta que deve ser feita é: se há uma literatura própria para criança (e, assim, elas não lêem livros de adultos), não deve haver uma televisão própria? Será que os pais devem proibir seus filhos de assistir programas feitos para adultos?

 

Essas respostas não são tão fáceis de serem respondidas, mas um caminho prático pode ser dado: educação para usar a mídia, tanto para as crianças, quanto para os adultos. Assim, pais e professores poderão aprender a criar critérios de escolha de materiais audiovisuais, poderão conversar com mais sabedoria sobre o programa, quando ele for de adulto mas a criança quiser assistir, poderão inclusive identificar distorções ou perspectivas muito particulares, como a que foi identificada na reportagem, nos parágrafos anteriores.

 

Certamente, um assunto tão complexo não tem como ser tratado através de receitas esquemáticas de como fazer. Entretanto, unindo algumas teorias críticas da comunicação, realizando análises práticas e refletindo sobre os resultados dessas atividades, aos poucos, pais e educadores podem se tornar mais alfabetizados em mídia.

 


[1] BUCKINGHAM, David. Media Education – literacy, learning and contemporary culture. 3 ed. Cambridge, Polity Press, 2005.



Escrito por Alexandra Bujokas às 11h59
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TRECHO DE LIVRO

LITERACY IN A DIGITAL WORLD - Kathleen Tyner (Londres, Editora Lawrence Erlbaum Associates Publishers, 1998)

Capítulo 1 – Pausa na corrida da leitura

 

“Assim como a tradição oral, ao mesmo tempo mudou e incorporou a palavra impressa, as tecnologias de comunicação eletrônica parecem doar com uma mão e obter com a outra. Ao contrário do que se pensa, a cultura impressa não será corroída e apagada pelas formas eletrônicas. A história demonstra que as tecnologias de leitura afloram e imergem, dependendo de um conjunto maior de circunstâncias. As diversas formas de leitura se sobrepõem, coexistem e mudam de maneira simbiótica. A cultura impressa não eliminou a tradição oral. O rádio, a TV e o computador incorporam as convenções impressa e oral, e não conseguiram acabar com os livros. De fato, as venda de livro têm se mantido altas. O que ocorre é que as mudanças históricas nas ferramentas de leitura mudam as concepções sobre o que significa ser alfabetizado – uma questão muito mais embaraçosa e complicada”.

“As formas digitais de comunicação são únicas porque elas têm o potencial de promover um colapso nas distinções entre os códigos e as convenções das linguagens oral, escrita, impressa e eletrônica. As plataformas digitais transformam todos esses cógidos num compacto maleável de dados, permitindo a graciosa convergência de mídias em um só esquema audiovisual unificado.

Se a transição de uma forma de leitura para outra no passado for uma indicação de como as coisas funcionam, a mistura de mídias está prestes a precipitar uma tensão social desconhecida. A introdução de novas ferrametnas de leitura faz surgirem questões intrigantes sobre o modo como as pessoas escolhem e usam os elementos de um texto – forma, conteúdo e contexto – para navegar e dar sentido a um mundo cada vez mais mediado.

Uma visão histórica de longo alcance nos ajuda a criar uma visão mais informada de tais questões e a pôr o exagero e a ansiedade contemporâneos sobre as novas ferramentas de comunicação no seu devido lugar: de ansiedade e de exagero.”

(página 13)



Escrito por Alexandra Bujokas às 07h53
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Relatório de pesquisa

JENKINS, Henry et al. Confronting the Challenges of Participatory Culture: Media Education for de 21st Century. Fundação MacArthur, 2006.

 

Clique aqui para baixar o relatório



Escrito por Alexandra Bujokas às 10h46
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Livro 2

TYNER, Kathleen. Literacy in a Digital World. Londres: Lawrence Erlbaum Associates Publishers, 1998.

 

A autora é uma educadora norte-americana, que trabalha no campo da mídia-educação. O livro é resultado da sua longa experiência e contato com educadores dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Austrália. O livro parte da pesquisa no campo da história da leitura (da tradição oral para a escrita, da escrita para a imprensa, da imprensa para os meios eletrônicos e digitais) para compreender o modo como as diversas sociedades e culturas têm se apropriado das "tecnologias do intelecto" (como alguns pesquisadores têm chamado a habilidade de leitura) desde a Idade Média até o final dos anos 90, com o avanço da internet.

 

 

Clique aqui para ler um trecho do capítulo 1, "Pausa na corrida da leitura"



Escrito por Alexandra Bujokas às 10h46
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Livro 1

BUCKINGHAM, David. Media education – literacy, learning and contemporary culture. Cambridge: Polity Press, 2003.



Escrito por Alexandra Bujokas às 10h45
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